terça-feira, 6 de março de 2012

Querem os atores do espaço esportivo encarar o racismo? Aliás nós queremos encarar a existência do Racismo?

Não me lembro quando foi. Devia ser umas 5:00 da manhã, acordo assustado. Eu estava em uma aula na UFMG, e no sonho me lembro de alguns colegas fazendo piadinhas com outro, negro, imitando som de macaco. O que me assustou foi o som de macaco que foi ficando alto, tão alto que fui chutado para fora do sonho.

Eu sonhei, Juan, jogador da Roma da Itália, não. Ele sentiu isso na pele (eu também mas nunca fui hostilizado por centenas de pessoas). Em seu rosto senti o mesmo sentimento que sempre tive quando essas coisas aconteciam (e acontecem) comigo. Vontade de chorar, de sair.

No dia 29 de fevereiro, Wallace, jogador de vôlei do Cruzeiro ao partir para o saque escuta de uma torcedora:

"Vai lá macaco, volta pro zoológico!"




Um parenteses, me lembro que no caso da reação de parte da torcida do Sada/Cruzeiro contra o Michael, jogador do Vôlei Futuro escutei alguns argumentos que me deixaram um pouco decepcionado: "esse caso é meramente esportivo, coisa do jogo..." ou, "disseram isso para desestabilizar o jogador", a diretoria do clube mineiro , à época se posicionou minimizando o fato, tratando como algo meramente esportivo (confira aqui) . Mas agora um caso semelhante acontece com um jogador do Cruzeiro, e com ele um novo posicionamento, enquanto um silencio reina no Minas Tênis Clube. Mas sobre a atitude do Sada/Cruzeiro, essa seria de fato, "meramente esportiva"? ou estariam de fato preocupado com as reações dos torcedores? estariam eles preocupados com os desdobramentos do racismo, da homofobia em nossa sociedade?

Voltando ao caso do Juan, mas ainda tentando pensar ainda nesse tratamento "esportivo" a esses casos, vamos pensar no que disse o manda chuva da FIFA, Joeph Blatter, sobre os casos de racismo no futebol:


"Isso não acontece. Não há racismo, talvez apenas um confronto entre jogadores com palavras ou gestos que não são os mais corretos, mas faz parte do jogo. No fim, um aperto de mão resolve, este tipo de coisa acontece." (http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2011/11/blatter-irrita-imprensa-inglesa-com-comentarios-sobre-racismo.html)


Vamos tentar pensar nessa fala. O dirigente de fato, acredita que não existe racismo no futebol? O futebol está isolado dos problemas sociais? Ou seja, os problemas que acontecem no campo são frutos de um destempero momentâneo e tudo que resta é justamente apertar as mãos? apaziguar? (por sinal, coisa que o Suarez, jogador do Liverpool não quis fazer com Evra, jogador do Manchester, após o jogador uruguaio ser acusado por tratar o francês por tratamento racista.)


Ou pensando ainda na fala do dirigente, a FIFA não quer tocar em um tema que a todo tempo acontece no mundo todo, um tema que exigiria da da instituição um posicionamento contundente?

Nessas suposições é possível perceber vários problemas. Primeiramente expondo fraturas de um espaço supostamente apresentado por alguns veículos de comunicação e algumas pessoas como um lugar repleto de "boas lições" mas também é um espaço, machista, homofóbico, racista. Como toda a nossa sociedade o futebol exacerba os problemas sociais, econômicos, políticos. O espaço esportivo convida a uma conformação, a um apaziguamento, ou "fingir que não ouviu", afinal, são coisas do jogo! (com isso não estou dizendo que sou contra o esporte, mas é preciso refletir sobre o que assistimos e ensinamos!)

Outro ponto que me preocupa é que a reação das federações nesses casos (que são vários) é sempre o de minimizá-los ao plano "esportivo". Ora, A Lazio foi multada (alguns acham que o caso da torcida do clube de Roma não é problema do clube...) e tudo segue como antes. Os torcedores provavelmente continuarão com suas ações em outros jogos. A torcedora no jogo do Cruzeiro contra o Minas, talvez esconda seu racismo novamente...

Mas o que fazer? Penso que a primeira mudança deve ser a postura do jogador. Assim como de nossos alunos, filhos e amigos violentados. Assumir o racismo, o ato homofóbico como uma violência e não como algo isolado, algo que pertence "naturalmente" ao plano esportivo. Assumir e divulgar a sua etnia, afinal, isso acontece com os judeus que escutam piadas e barulhos de câmara de gás da torcida adversária (a torcida do Feyenoord insulta os torcedores do Ajax que se referem como "judeus"). Aos não-brancos (Ladson-Bilings, 2006) é preciso assumir o discurso da diferença cultural, étnica, social. Não podemos acatar o discurso da igualdade (não estou falando em igualdade de direitos, vejam bem), do apaziguamento que somente apaga nossas singularidades, contribuem para a construção de uma sensibilidade em que a menina negra acha seu cabelo "ruim" e busca como padrão (ou o igual) o cabelo "liso" da modelo branca. É preciso essa percepção sem ressentimento, sem ódio.

Pensando no mundo do esporte (que não é uma instituição isolada da sociedade), é preciso tomar esses fatos como um problema social. Não é possível resolver esse problema com um comunicado oficial, ou uma multa aos clubes, é preciso pelo menos um debate aprofundado sobre o problema. Contudo, pensando nos dirigentes, na forma como os atletas são (de)formados, como o futebol busca sempre higienizar esse espaço tão complexo, sinceramente, penso no discurso da luta contra o racismo, a homofobia, o machismo e outras violências como mero escarnio, como mero cinismo global (plim-plim).

O racismo, dentro ou fora de campo/quadra, não pode ser pensado como coisa do jogo, ou que ao jogador e/ou jogadora devem simplesmente "não ligarem para o que aconteceu" da mesma forma como um adulto me dizia enquanto eu chorava por ser humilhado de novo. Se existe uma arma, essa não é o esquecimento, ou o discurso politicamente correto. Só há uma arma: o enfrentamento. Nada mais.

Referencias: 

LADSON-BILLINGS, G. Discursos racializados e epistemologias étnicas. Em: 
DENZIN, N.K.; LINCOLN, Y,S. e colaboradores. Porto Alegre: Artmed/Bookman, 
2006, p. 259-280.



sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mais uma desse grande curral chamado Minas Gerais...

Direto do Sitio do Novae...

com esse texto, fico pensando na coisas que escuto. Vivemos em país aparentemente democrático, essencialmente facista. Forcei a Barra? Bom pelo menos os publicitários (eu adoro viver perigosamente...) aprenderam bem com Goebbels, aliás, será que eles lêem o Goebbels?? Fico com a sensação de a publicidade serve como um escárnio aos movimentos sociais...



Dom Aécio I e o Palácio dos Inválidos

28/05/2010

(José de Souza Castro)

Vejo essa campanha publicitária do Governo de Minas Gerais sobre o “choque de gestão”, protagonizada pela atriz Regina Casé, da TV Globo, como um sarcasmo contra milhares de professores estaduais mineiros que estão, neste momento, lambendo as feridas da greve de 47 dias por um salário de 1.321 reais por mês.

Eles não ganharam nada e, além de queda, coice!

Pois, para esses professores humilhados, só pode soar como sarcasmo o bom humor da atriz, que deve ter motivos excelentes para estar feliz. Por que o governo não divulga qual o valor do cachê pago a ela, para que todos nos regozijemos juntos?

“Você sabe o que é choque de gestão?” – pergunta Regina Casé a um pobre homem, e, para facilitar a resposta, ela faz um amplo gesto com a mão. Ele: “Ah, a Linha Verde!”. Ela: “O viaduto…”.

A câmara, piedosamente, não mostra a cara do homem caindo ao chão.

E o que dizer do papo da atriz com uma turma de alunos de uma escola estadual? Ela fica tão feliz com as respostas à pergunta, que até pergunta se um deles quer casar com ela. (Brincadeirinha: Regina Casé é bem casada com um diretor de televisão.) Que grupo alegre de alunos! Tão diferentes de seus pobres professores…

Mas, como gastar tanto dinheiro com uma campanha publicitária para enaltecer o principal programa do governo Aécio Neves e do candidato dele ao governo de Minas, Antonio Anastasia, se não há dinheiro para melhorar o salário dos professores?

Nenhum mistério aí. Pode-se gastar com a campanha publicitária, porque dinheiro não é problema para isso. Aliás, faltasse esse dinheiro, faltaria também o apoio ao governo, dado tão desinteressadamente pela honrada imprensa mineira.

A Síntese da execução fiscal do governo de Minas, até março de 2010, que pode ser vista aqui
http://www.fazenda.mg.gov.br/governo/contadoria_geral/files/natureza0310.htm, informa: Total da Receita: R$ 10.907.645.916,90. Total da Despesa: R$ 9.128.891.680,00.

Com o saldo de mais de 1 bilhão e 778 milhões de reais no fim do governo Aécio Neves, é possível até construir uma nova Cidade Administrativa e um novo palácio. Afinal, quatro palácios para o governador, é muito pouco.

Falando sério: “choque de gestão” é um emblema muito pequeno para as ambições de Aécio Neves, o homem por trás de Antonio Anastásia. Para quem vem sendo apontado pela imprensa brasileira como o dono dos votos dos mineiros, Aécio poderia escolher como símbolo o Sol. Luís XIV, o construtor do Palácio de Versalhes, para quem “L’État c’est moi”, certamente não se importaria em ver seu símbolo tomado de empréstimo pelo Rei dos Mineiros.

O risco é que seus súditos orgulhosos queiram que Aécio também construa outras coisas que não palácios, a exemplo do rei francês. Por exemplo, um Canal Midi, de 240 km, para transportar para dentro do próprio território mineiro as riquezas aqui produzidas. (Não vale o mineroduto de 530 quilômetros para transportar o minério de ferro da região de Conceição do Mato Dentro até o litoral fluminense e dali para outros países.)

Ou um Hôtel des Invalides. Ah, esse Palácio dos Inválidos, construído pelo Rei Sol, pode ser uma boa ideia a ser imitada aqui, de preferência na capital.

É para lá que poderiam se recolher os professores estaduais, depois de se aposentarem! Ou antes disso…

domingo, 28 de março de 2010

Janela de vidro e o seu circo armado...

Talvez numa copa do mundo se tenha uma "comoção" popular tão grande. O caso da Isabella Nardoni, pode explicar o modo como a mídia têm trabalhado em todos esses momentos (lê-se os casos em que a imprensa deu as caras em suas "coberturas").

Não existe diferença entre o big brother, a cobertura da copa do mundo, ou a cobertura do caso Nardoni, faltou o Galvão Bueno ou o Pedro Bial para narrarem o "julgamento" ao vivo para todo país ( em Alta definição e a pipoca para acompanhar).

Queridas moscas, caríssimo Matheus, talvez vocês pensem que eu esteja protegendo os acusados do caso, mas, expor uma criança a um grande circo, obviamente um circo de horror, é um grande exagero...

Amanhã será um lindo dia, esqueceremos mais uma vez o que aconteceu na semana passada, um novo caso será apresentado pela TV, "especialistas" se posicionarão sobre o acontecido, as vozes oficiais dirão "quem sabe" ou "Talvez", várias lágrimas serão derramadas (legítimas ou não) e a câmera dará o foco no rosto de quem chora (emoções sinceras ou não)... e???

Sinceramente caríssimos?Brincando com uma frase do Black Alien, quase sempre não me sinto parte desse mundo.

PS: A dor de uma mãe que perde um filha é inexplicável, indescritível, contudo o uso canalha por parte dos veículos de comunicação é imperdoável.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Futebol...


Num dia de surtos psicológicos...

um texto interessante, obviamente não concordo com muitas questões que Tostão fala... mas não posso negar, ele é um dos caras que tem refletido sobre o futebol...

ah! eu li esse texto ontem no Estado de Minas, mas retirei esse texto no site "o povo online": http://opovo.uol.com.br/opovo/colunas/tostao/930614.html

O mundo ideal e o real


21 Nov 2009 - 20h21min


Este um mundo real, muitas vezes violento, injusto, ganancioso e preconceituoso, e outro ideal, que sonhamos viver, embora façamos pouco para isso. A melhor maneira de fazer algo não é ser bonzinho no Natal nem praticar alguns atos generosos para reparar a culpa real e/ou imaginária. É, principalmente, ser, todos os dias, um bom cidadão. Não é fácil. São muitas as tentações.

Quanto maior a distância entre o mundo real e ideal, maior é o desamparo. É a mesma relação individual entre ego e ego ideal. ``Sou o que penso, mas penso ser tantas coisas`` (Fernando Pessoa).

Escuto, desde criança, que o esporte é o lugar ideal para as pessoas aprenderem e desenvolverem os valores éticos. Isso nunca foi verdade no esporte de competição e de alto nível. O gol, com a ajuda da mão, que classificou a França para a Copa é mais um de dezenas de exemplos. Nesses lances especiais e decisivos, em que não há dúvidas, o quarto árbitro, com a ajuda da TV, deveria anular o gol.

Na emoção de uma partida, os atletas, na busca por glória e dinheiro, pressionados para vencer, demonstram, em atos falhos ou conscientes, toda a desmedida ambição e toda a esperteza humana.

Um dos motivos relatados para o recente suicídio do goleiro Robert Enke, da Seleção Alemã, foi o medo que tinha do fracasso. Isso contribuiu para piorar sua crônica depressão. Perder é morrer.

No mundo ideal, os atletas entrariam em campo somente para jogar futebol, com alegria, e respeitariam companheiros, adversários, árbitros e auxiliares, além de tentar dar bons espetáculos.

No mundo real, os jogos, em todo o planeta, principalmente na América do Sul, estão cada dia mais tensos, tumultuados e violentos. Durante a semana, houve pancadaria em dois jogos no Brasil, um no Uruguai e outro na África.

Muitos treinadores e dirigentes, mesmo sem intenção, estimulam a violência com os discursos de ganhar a batalha, perder a guerra, jogar com muita pegada, além das ofensas aos árbitros.

O que houve com Obina e Maurício e também com Hugo e André Dias (estes não trocaram socos) já aconteceu várias vezes com outros jogadores. Os atletas não suportam a pressão de ter de vencer. Agridem antes de serem agredidos. Técnico adora também passar a mão na cabeça de jogador violento.

Se Obina e Maurício tivessem agredido os adversários, e o Palmeiras tivesse vencido, provavelmente os dois não seriam punidos pelo clube. Talvez, recebessem até elogios por suas bravuras.

No mundo ideal, a imprensa cobraria, com ênfase, mais qualidade técnica e menos violência. No real, parte da mídia incorporou o discurso dos técnicos de que o importante é o resultado e que, no futebol moderno e de muita marcação, não há mais lugar para futebol bonito e com poucas faltas.

No meu mundo ideal, queria assistir aos jogos somente com o olhar de um poeta e de um apreciador das coisas belas de um espetáculo. No meu mundo real, preciso ser também pragmático e um analista técnico e tático. Tento unir os dois mundos. Nem sempre consigo. Os dois se estranham.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ainda sobre Battisti...

Agora, é necessário mostrar outras visualizações sobre essas questões politicas (ou seria politricks???) no Caso de Cesare Battisti.

Talvez nada melhor do que perceber o que ele mesmo diz... Confesso que não gostei muito da carta, mas quem sou eu pra questionar um cara que viveu em guerra numa Italia que não lembra nem um pouco os romancinhos de banca de jornal? (alguem vai me matar por causa disso)

Alguem vai querer ironizar a comparação com a extradição da Olga... Bom, diz isso pra filha dela então...
Exmo. Sr. Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva.
Na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás, sinto-me no dever de subscrever a carta escrita pelo Sr. Carlos Lungarzo da Anistia Internacional (em anexo), na certeza de que seu compromisso com a defesa dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha família.
Atenciosamente,
Anita Leocádia Prestes
CARTA ABERTA
AO EXCELENTÍSSIMO
SENHOR LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
SUPREMO MAGISTRADO DA NAÇÃO BRASILEIRA
AO POVO BRASILEIRO
"Trinta anos mudam muitas coisas na vida dos homens, e às vezes fazem uma vida toda". (O homem em revolta - Albert Camus)
Se olharmos um pouco nosso passado a partir de um ponto de vista histórico, quantos entre nós, podem sinceramente dizer que nunca desejou afirmar a própria humanidade, de desenvolvê-la em todos os seus aspectos em uma ampla liberdade. Poucos. Pouquíssimos são os homens e mulheres de minha geração que não sonharam com um mundo diferente, mais justo.
Entretanto, frequentemente, por pura curiosidade ou circunstâncias, somente alguns decidiram lançar-se na luta, sacrificando a própria vida.
Minha história pessoal é notoriamente bastante conhecida para voltar de novo sobre as relações da escolha que me levou à luta armada. Apenas sei que éramos milhares, e que alguns morreram, outros estão presos, e muito exilados.
Sabíamos que podia acabar assim. Quantos foram os exemplos de revolução que faliram e que a história já nos havia revelado? Ainda assim, recomeçamos, erramos e até perdemos. Não tudo! Os sonhos continuam!
Muitas conquistas sociais que hoje os italianos estão usufruindo foram conquistadas graças ao sangue derramado por esses companheiros da utopia. Eu sou fruto desses anos 70, assim como muitos outros aqui no Brasil, inclusive muitos companheiros que hoje são responsáveis pelos destinos do povo brasileiro. Eu na verdade não perdi nada, porque não lutei por algo que podia levar comigo. Mas agora, detido aqui no Brasil não posso aceitar a humilhação de ser tratado de criminoso comum.
Por isso, frente à surpreendente obstinação de alguns ministros do STF que não querem ver o que era realmente a Itália dos anos 70, que me negam a intenção de meus atos; que fecharam os olhos frente à total falta de provas técnicas de minha culpabilidade referente aos quatro homicídios a mim atribuídos; não reconhecem a revelia do meu julgamento; a prescrição e quem sabe qual outro impedimento à extradição.
Além de tudo, é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político e no Brasil alguns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum. É um absurdo, principalmente por ter recebido do Governo Brasileiro a condição de refugiado, decisão à qual serei eternamente grato.
E frente ao fato das enormes dificuldades de ganhar essa batalha contra o poderoso governo italiano, o qual usou de todos os argumentos, ferramentas e armas, não me resta outra alternativa a não ser desde agora entrar em "GREVE DE FOME TOTAL", com o objetivo de que me sejam concedidos os direitos estabelecidos no estatuto do refugiado e preso político. Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte.
Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver.
Findo esta carta, agradecendo aos companheiros que desde o início da minha luta jamais me abandonaram e da mesma forma agradeço àqueles que chegaram de última hora, mas, que têm a mesma importância daqueles que estão ao meu lado desde o princípio de tudo. A vocês os meus sinceros agradecimentos. E como última sugestão eu recomendo que vocês continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena!
Espero que o legado daqueles que tombaram no front da batalha não fique em vão. Podemos até perder uma batalha, mas tenho convicção de que a vitória nesta guerra está reservada aos que lutam pela generosa causa da justiça e da liberdade.
Cesar Battisti

Caso Battisti

Olha só, minhas amigas mosquinhas...

Não vou opinar como gauche, vou opinar pensando na lei... é um absurdo o supremo tribunal jogar no chão a jurisprudência de um caso qualquer.

para que eu não escreva mais bobagens publico aqui alguns textos sobre o caso.

PS: Deixo o crédito para a Maria Dirlene (que nem me conhece), da lista do Forum Social, que jogou essas questões lá...


CASO BATTISTI

O STF DECIDE QUEDESPERDIÇOU DEZ MESES

Celso Lungaretti (*)

No primeiro julgamento, o Supremo Tribunal Federal decidiu não respeitar adecisão do Governo Federal, que já concedera refúgio humanitário a CesareBattisti.

Ao invés de arquivar o processo de extradição italiano, como mandava a Lei doRefúgio e balizava a jurisprudência, resolveu mandar ambas para o espaço e metero bedelho em prerrogativa do Executivo.

No segundo julgamento, também por 5x4, aprovou o pedido de extradição formuladopelo Governo da Itália.

No terceiro julgamente, ainda por 5x4, decidiu que lhe cabe apenas verificar sehá empecilhos para a extradição, cabendo a decisão final ao presidente daRepública.

Ou seja, o STF dá sinal verde para a extradição, mas quem bate ou não o marteloé o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No meio de tanto blablablá empolado, parece ter escapado aos ministros doSupremo que, na prática, a terceira decisão anulou a primeira.

Pois, se é Lula quem decide, ele já decidiu, ao respaldar a decisão do ministroda Justiça Tarso Genro.

Tudo que aconteceu depois foi inútil. E um perseguido político ficou mais dezmeses na prisão à toa, por obra e graça de alguns ministros do Supremo,justiceiros no mau sentido.

Isto, claro, supondo-se que Lula se mantenha coerente com a posição assumida emjaneiro, quando defendeu seu ministro da devastadora pressão da Itália e daimprensa entreguista brasileira (que escreveu, neste episódio, uma de suaspáginas mais infames, tudo fazendo para colocar o Brasil na condição de capachoda Itália).

Em boa hora Anita Leocádia, com sua dignidade exemplar, enviou mensagem a Lula,"na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargaspara a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás".

Ela subscreveu a carta de Carlos Lungarzo, membro da Anistia Internacional dosEUA, qualificando de "linchamento" a perseguição rancorosa a Battisti em doiscontinentes, mobilizando recursos astronômicos e, no caso brasileiro, comostensivo desrespeito à nossa soberania.

E é mesmo linchamento o único termo cabível nessas circunstâncias.

No julgamento desta quarta-feira (18), os linchadores não se conformaram com aderrota final e tudo fizeram para virar a mesa e embaralhar as cartas. Queriamporque queriam atrelar Lula ao tratado de extradição com a Itália.

Mas, a firmeza dos ministros Eros Grau e Marco Aurélio de Mello (principalmente)frustrou a chiadeira típica de maus perdedores.

O primeiro, inclusive, desabafou: o presidente pode até descumprir ou denunciaro tratado, se assim decidir. Responderá por seus atos.

O que não pode é o STF querer aprisionar Lula numa camisa de força, pois istotransformaria o Judiciário num Super-Poder, acima do próprio Executivo.

De resto, fica a esperança de que o voto do ministro Carlos Ayres de Brittotenha feito desabar toda a estratégia dos linchadores.

Pois a decisão apertadíssima dá todo direito a Lula de não seguir uma maioriaformada unica e tão somente por causa de puslimanidade do ministro Dias Toffoli.

Vale abrir um parêntesis.

Na véspera do segundo julgamento, os senadores Eduardo Suplicy e Inácio Arruda,o Carlos Lungarzo e eu estivemos no STF para entregar a cada ministro ummemorial do Lungarzo, comprovando com fartura de provas que a Itália praticaratorturas e incidira em aberrações jurídicas nos anos de chumbo.

No caso dos demais ministros, preferi ficar quieto. Não tinha afinidade comeles, no máximo simpatia pessoal pelo Joaquim Barbosa e o Marco Aurélio.

Quando chegou a vez de Toffoli, resolvi falar-lhe como companheiro, dizendo que,na luta contra a ditadura, aprendera a conhecer processos como o de Battisti,meras montagens que as autoridades elaboravam e faziam presos políticos corroborarem.

Percebendo a expressão de tédio do Toffoli, conclui que não era companheiro nemcultuava os valores de um companheiro. Não passava de um carreirista em busca do sucesso.

Não deu outra.
E agora, graças à sua omissão, o presidente Lula será obrigado a desagradar umdos lados, com evidente prejuízo político.

Mas, dando o merecido chute no traseiro italiano, apenas repetirá o que Sarkozy fez, sem que o mundo desabasse sobre ele.

Se resolver sacrificar um injustiçado à razão de Estado, vai provocar uma cisãono seu partido, que poderá ser fatal para quem tem como candidata à sucessão uma ex-militante da luta armada.

Além de ver voltada contra si a metáfora que recentemente fez sobre Judas.Prefiro acreditar que ele tomará a única decisão digna neste caso.

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* Jornalista e escritor, mantém os blogues

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sobre o Twitter...

Queridas moscas!!!! saudades de vcs!!!!

Bom nesse retorno (que talvez será eterno...)

Um texto legal sobre o Twitter... Aliás não existe um iceberg maior do essa "ferramenta"!!!

Aliás de antemão: Acho o orkut um espaço problemático... chato... mas confesso, não vivo sem... infelizmente é a unica forma de rever alguns amigos distantes... infelizmente.

Abraços amigas moscas!!

esse texto está nesse endereço:

http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1370


Por que o Twitter é de direita


Mauro Carrara


Raras vezes o revés se exibiu tão instrutivo. E o senador Mercadante, do partido mudo, merece gratidão por nos oferecer incrível lição de como torrar a própria imagem diante da opinião pública.


Depois da tarde das garrafadas invisíveis, em que a bancada do partido mudo quis converter-se em madame girondina, Mercadante utilizou-se do microblog Twitter para anunciar, em caráter irrevogável, sua renúncia à liderança do PM na Câmara Alta.


O sol deitou, voltou, deitou e Mercadante resolveu pisar atrás, anunciando, pelo mesmo Twitter, sua desistência de desistir.


E uma onda de indignação hipócrita e seletiva passou como tsunami sobre a praia governista. Foram muitas as vítimas. Estava posta a carniça aos abutres. Folha de S. Paulo e Estadão, por exemplo, lambuzaram-se das tripas do bigodudo parlamentar.


Do episódio neodantesco, ficaram três lições: 1) O partido mudo não sabe o que é o Twitter; 2) Os parlamentares do partido mudo utilizam essa e outras ferramentas de maneira imprópria e irresponsável; 3) A direita nada de braçada nessa lagoa da comunicação interativa.


Deu pena do incauto Mercadante. O tal perfil da Juventude do DEM, a mesma que utilizou o Twitter para engrossar o coro de “Fora Sarney”, divertiu-se à vontade em cantigas de maldizer, levantando hordas de playboys para espezinhar o pobre líder mudista.


O meio é a mensagem


Assisti a uma palestra de Marshall McLuhan há uns 5 mil anos, na Universidade de Wisconsin, numa época em que meu Inglês não era lá essas coisas.
Mas peguei o básico, sem grandes problemas.


Neste momento, vem à memória o trecho da preleção em que o canadense falava sobre sua teoria de que “o meio é a mensagem”, conceito que na época eu não compreendia muito bem, e continuei sem compreender.


Agora, contudo, tudo faz muito sentido.


Mercadante e o partido mudo nem desconfiam do impacto sensorial das novas mídias. Presos à ideologia e ao conteudismo, não percebem que os meios de comunicação se constituem em extensões humanas, nas tais próteses técnicas capazes de determinar padrões de comportamento e reconstruir discursos.


O Twitter é exemplo claro da importância do meio na conformação da conduta do usuário.


Mais do que o Orkut, por exemplo, que é sucesso entre os brasileiros de todas as classes sociais, o Twitter tem em sua engenharia interna a inspiração do modelo personalista.


Serve, portanto, de modo perfeito, à construção de púlpitos para gurus. É da pessoa e não do tema, estabelece uma hierarquização no tráfego de informação e copia os modelos verticais de gestão corporativa.


O Orkut, por exemplo, é campo aberto de batalha e debate. Ali, os famosos e poderosos têm medo de se expor. Equivale a se apresentarem no meio da multidão, em praça pública.


Por conta das características do meio orkutiano, as pequenas legiões leonídeas da esquerda organizada destroçam facilmente as gordas falanges do mainardismo virtual.


O Twitter, ao contrário, enfatiza o emissor e exclui o intercâmbio dinâmico de ideias. Não há corpo a corpo e, por conta das condições do campo de batalha, a quantidade pode vencer a qualidade.


Vale dizer que o Twitter funciona no campo da comunicação declaratória. Não trabalha com base na argumentação e na exposição racional do pensamento.
No Twitter, as personalidades têm o que o sistema chama de “seguidores”, característica que fortalece um padrão de falsa interação.


Um tema dromológico


Cada tweet (mensagem) tem que se limitar a 140 caracteres. Assim é a coisa.
É fácil pedir “Fora Sarney” nessa tecladas mínimas. Mas é difícil explicar que o presidente do Senado está por aí há 45 anos, que a bronca tucana é oportunista, que Arthur Virgílio é um bandalho e que o movimento midiático faz parte de um projeto de desestabilização do governo Lula.


O Twitter é ótimo para gritar e exigir cabeças. É péssima ferramenta para qualquer advogado.


Curiosamente, o Twitter no Brasil é utilizado majoritariamente por homens paulistas e cariocas, na faixa de 20 a 30 anos, a maior parte deles com ensino superior. A agência Bullet, que coletou os dados, mostra que 60% dos twitteiros são considerados formadores de opinião.


No total, 51% dos usuários valorizam os tais perfis corporativos.
Cabe destacar que o Twittter se casa perfeitamente com o modelo de comunicação veloz da juventude. É um SMS da Internet.


A informação é rala e muitas vezes codificada. O importante é estar “em contato”, integrado, saber um pouco, talvez quase nada, mas de muitos. Também é preciso mostrar-se vivo, disparando a mensagem, mesmo que irrefletida.


O Twitter faz parte do arsenal das bombas informáticas, às quais faz referência o filósofo Paul Virílio, pessimista mas sabido.


Como instrumento de controle e alienação, a ferramenta já se converteu em arma poderosa do que se convencionou chamar de “direita”, considerado aí o termo conforme a brilhante conceituação de Norberto Bobbio.


Em seus estudos, Virílio alerta para a supervalorização da velocidade na sociedade tecnológica contemporânea. Segundo ele, perdemos o valor mediador da ação em benefício da interação imediata.


O pensador, que bem avaliou os elementos simbólicos da guerra, afirma que a velocidade divinizada reduz drasticamente o poder de atuação racional e estabelece uma conduta de reação, muitas vezes automatizada.


Por isso, o Twitter tem menos interesse no pensamento estruturado que no jogo rápido das reações. Assim, vem sendo utilizado com sucesso no fortalecimento de marcas, agregando “seguidores” por categorias definidas pelos profissionais de marketing.


Razões éticas ou morais podem afastar as esquerdas do Twitter. A esquerda não se contenta (e não sabe se contentar) com 140 caracteres e historicamente não tem gosto pela velocidade.


Os esquerdistas de raiz libertária, em especial, valorizam a dialética e a comunicação multidirecional, em que a igualdade de direitos faz emissores e receptores trocarem de lugar a cada passo da valsa.


O partido mudo e alguns setores decrépitos da esquerda são casos à parte. Praticam, há tempos, certo neoludismo fanático e tolo. Noutras ocasiões, a inépcia marca o uso das novas armas-meio.


Como já estive por aqueles lados, posso assegurar que os vietnamitas não se valeram apenas de zarabatanas e armadilhas de caça para vencer a maior potência bélica do mundo.


O Twitter é de direita, hoje. Mas não precisa ser para sempre.