segunda-feira, 20 de abril de 2009

Contra todos!!!!!



O nome do blog é uma homenagem a essa Banda capixaba que já está a 17 anos caminhando. Como todo percuso humano, o Dead Fish passou por alegrias, tristezas, decepções... Escutei o novo album, "contra todos" e confesso que ainda não consigo escutar outra coisa! Alguns dizem que eles se venderam, por assinar com uma gravadora... Aliás Como dizer isso sobre uma banda que ainda continua cantando as mesmas coisas da época do clássico "sonho médio"? Li uma resenha em algum lugar (não lembro onde...) que o alvo da banda nesse album era o mercado, discordo, a crítica é a mesma: Velha e boa "democracia" capitalista (Não estou dizendo que eles são repetitivos, pelo contrário o som é cada vez mais original!). Seria injusto chamar de "vendidos" uma banda que sempre usa (usou e vai usar)sua voz para apontar contradições sociais (frescuras do underground...).
Exemplo dessa voz potente está na música "Subproduto" e um trecho dela chamou a minha atenção...Gostaria de compartilha-lo com as moscas:
"Subproduto do subproduto
De todo conceito que cria a cultura
Do subproduto da massa ou da elite
O que somos nós?
De toda histeria de estar inserido
Mesmo outsider ou très impotent
No final das contas quem come a bosta de quem?"
Dedo na ferida é piada... Creio que não há necessidade de escrever mais nada depois dessa frase...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Frase da semana ou seria de 1867???

Não direi nada, apenas divulgo essa frase, ideia da minha Deusa de Ébano...


"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado."

Karl Marx, "Das Kapital", 1867

Preciso de algum complemento?

domingo, 29 de março de 2009

Barbarie demais é bobagem...

"Roubei" essa imagem do orkut do meu parceiro Daniel que está lá em Portugal... Definitivamente, os judeus precisam repensar sua ação no mundo, eles sairam da posição de oprimido para se tornarem sádicos assasinos. Conforme nos lembra o jornalista da Caros Amigos, Georges Bourdoukan (o Daniel tambem escreveu isso...) :"Nem os nazistas foram tão ousados". É sisnistro ler isso...

PS: Toda piada é engraçada quando não é você o alvo dela...

Esporte: espaço neutro??



Essa é velha mas vale a pena lembrar:




no dia 7 de janeiro desse ano aos 39 minutos do primeiro tempo o atacante do Sevilla marca o segundo gol contra o Deportivo Lacoruña. Ele levanta sua camisa e por baixo ele usava outra com o nome "Palestina" em varios idiomas conforme a fotografia nos mostra.




A federação Espanhola multou o jogador em 3 mil euros pela postura política do jogador. Bom, olha o comentário do jornalista (por sinal um jornalista que eu gosto)André Rizek nesse endereço - http://colunistas.ig.com.br/andrerizek/tag/palestina/:
"O tema é controverso. Mas tem razão a Fifa em não permitir que jogadores exibam mensagens políticas ou religiosas durante os jogos.
Veja bem. Não estamos aqui falando de censura. Não é questão de proibir que os jogadores expressem suas opiniões. É questão de impedir que jogos de futebol virem palanques políticos mesmo. Imaginem que chato seria o Ronaldo marcar um gol pelo Corinthians e sair mostrando a camisa 'Vote Eymael, um democrata-cristão, para presidente'. Se ele quer apoiar o Eymael, que vá ao programa eleitoral dele." Putz, como nos lembra Brecht, mais um exemplo de analfabetismo político. O que tem haver a camisa de Kaonuté com o infeliz exemplo de uma propaganda eleitoreira? Aliás, qual o problema do jogador em se expressar? Isso nos leva ao seguinte comentário: seriam os expectadores, alienados? burros? sem condição em ver uma mensagem e tirar suas conclusões? Aliás, como tenho dificuldade em entender as palavras vamos ao dicionário:

censura
do Lat. censuras. f.,
cargo ou dignidade de censor;
poder do Estado de interditar ou restringir a livre manifestação de pensamento, oral ou escrito, quando se considera que tal pode ameaçar a ordem pública vigente;
corporação encarregada de examinar as obras submetidas à sua aprovação;
exame;
crítica;
repreensão.


Acho que isso deixa ajuda a explicar algumas coisas...
Devemos pensar no que representa a força do esporte, até mesmo para pensarmos no seu ensino (daí meu posicionamento como um futuro professor de Educação Física). O que é um atleta? um ser acéfalo cujo corpo e opinão pertencem aos cartolas de plantão? Acho que não!!! É só lembrarmos de Sócrates, Reinaldo durante a ditadura militar... Ou a postura de John Carlos e Tommie Smith em 1968? A Reação com esses atletas foram as mesmas: "sua função é jogar não militar".
Penso que a postura de Kanouté me traz um alento. Mostra que esses atletas não estão alheios ao acontecimentos sociais.Até por que depois desse episódio passei a prestar mais atenção nesse jogador!!
Abraços!!!!
PS: Não sei se sabem, mas Ronaldo e Kaká são embaixadores da UNICEF (parece que Ronaldo perderu o titulo depois de suas posturas...). O que essas "estrelas" fizeram pelo menos pelas crianças palestinas? Bom, não dá pra esperar muito desses rapazes não é verdade?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Um Sentimento universal... pelo menos o sentimento da Esquerda mundial... nesses momentos nada melhor que um alento, uma outra possibilidade para nós... esse pequeno texto está no blog do Escritor português José Saramago.


Esquerda

By José Saramago


Temos razão, a razão que assiste a quem propõe que se construa um mundo melhor antes que seja demasiado tarde, porém, ou não sabemos transmitir às pessoas o que é substantivo nas nossas ideias, ou chocamos com um muro de desconfianças, de preconceitos ideológicos ou de classe que, se não conseguem paralisar-nos completamente, acabam, no pior dos casos, por suscitar em muitos de nós dúvidas, perplexidades, essas sim paralisadoras. Se o mundo alguma vez conseguir ser melhor, só o terá sido por nós e connosco. Sejamos mais conscientes e orgulhemo-nos do nosso papel na História. Há casos em que a humildade não é boa conselheira. Que se pronuncie bem alto a palavra Esquerda. Para que se ouça e para que conste.

Escrevi estas reflexões para um folheto eleitoral de Esquerda Unida de Euzkadi, mas escrevi-as pensando também na esquerda do meu país, na esquerda em geral. Que, apesar do que está passando no mundo, continua sem levantar a cabeça. Como se não tivesse razão.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Questões...

Nunca fui fã de Hugo Chaves... Ele é um cara controverso, uma figura importante contra o imperialismo Estadunidense. Mas justiça seja feita: ele é centralizador e não sei se essa atitude é revolucionária...

Contudo, uma pergunta sobre a veiculação dos grandes jornais e canais de televisão deve ser feita:

O que fazia na Venezuela um "observador" da União Europeia? se trata de uma "democracia assistida"?(ou um big brother eleitoral?) Aliás, será que esses "observadores" estavam nos EUA nas ultimas eleições ou na eleição que elegeu Baby Bush e perceberam que nessa eleição HOUVE corrupção? Engraçado... A veja e a globo nem reclamaram do Baby Bush...

Isso é estranho, vejam bem, não é um observador da anistia internacional, ou da ONU é um representante de um orgão internacional que tem interesses no que acontece no seu quintal... se houve corrupção ou não cabe a "oposição" questionar e não utilizar a midia (comprada) para veicular seus interesses...


Resultado dessa confusão midiatica: perderam mais uma vez...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Algumas do Caso Battisti

De saco cheio da internet (que nunca funciona direito) o pessoal parece meio confuso sobre o Cesare Battisti: "é um terrorista? é um guerrilheiro?" bom não vou falar nada proponho este texto de um cara que escreve pra Caros Amigos... O texto se limita as questões midiáticas, porém, penso ser um bom inicio. Boa leitura para quem marca a presença no blog!

ps: Vou postar mais outras coisas sobre esse fato durante a semana...



Por trás do caso Battisti
Por Guilherme Scalzilli em 3/2/2009
A imprensa oposicionista transformou a concessão de asilo político a Cesare Battisti em novo factóide contra o governo Lula. Tudo soa muito previsível, inclusive o tratamento rasteiro dos fatos, como já virou praxe nos grandes diários, impressos e televisionados. Mas a real motivação desses ataques grosseiros esconde-se na retórica tortuosa com que o noticiário envolveu o episódio.
A decisão de Tarso Genro é juridicamente irretocável porque parte do uso de suas atribuições constitucionais e atende à Lei 9474/97, cujo artigo 31 determina:
"[Após o julgamento do Comitê Nacional para Refugiados] a decisão do ministro de Estado da Justiça não será passível de recurso, devendo ser notificada ao Conare para ciência do solicitante, e ao Departamento de Polícia Federal, para as providências devidas."
Portanto, o Conare não é soberano nem inquestionável: mais de vinte decisões suas já foram contrariadas pelo Executivo desde 1998 (cerca de 15% do total). Eis porque a Procuradoria-Geral da República recomendou ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento do pedido de extradição de Battisti. O próprio parecer do Conare evitou julgar se os eventuais crimes e as condenações de Battisti foram políticos, aspecto fundamental para o pedido de asilo. Genro supriu essa lacuna.
Asilo a músicos cubanos
Não cabe aqui analisar os detalhes técnicos do processo italiano, tarefa que nenhum veículo empreendeu seriamente – uma abordagem honesta da questão levaria a discutir, por exemplo, se julgamentos sem a presença do réu podem ser decididos a partir de testemunhos contemplados com a delação premiada.
Tampouco vale a pena debater a lisura ou o caráter democrático das instituições italianas, pois nada disso pode ser determinado objetivamente, nem possui qualquer relevância: os fundamentos da democracia conseguem sobreviver ao poder da Máfia? A inevitável subjetividade das decisões judiciais não faz de qualquer julgamento uma atitude política? Os EUA transformaram-se em ditadura ao financiarem um campo de concentração?
A reação pateticamente exagerada do governo italiano atraiu a solidariedade das elites brasileiras, conciliando a arrogância colonizadora com a subserviência do colonizado. Ninguém se pronunciou em dezembro de 2005, depois que o nosso STF concedeu asilo a Pietro Mancini, também acusado de terrorismo na Itália; ou em outubro do ano passado, quando o presidente francês Nicolas Sarkozy negou a extradição da italiana Marina Petrella, que pertenceu às Brigadas Vermelhas.
O governo brasileiro continua sendo acusado pela deportação dos pugilistas cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara em julho de 2007, mesmo que diversas autoridades contradigam oficialmente essa tese, inclusive o então presidente da OAB-RJ, Wadih Damous. A propósito, ninguém menciona o asilo concedido aos músicos cubanos Miguel Ángel Núñez Costafreda, Arodis Verdecia Pompa e Juan Alcides Díaz, membros da banda "Los Galanes", que desertaram em dezembro daquele ano.
Motivações nada inocentes
Mas Battisti não poderia pleitear o tratamento de refugiado, pois ele é considerado "terrorista" pela grande imprensa nacional (o jornalista Sidney Rezende chegou ao cúmulo de compará-lo a Osama bin Laden). E, como sabemos, terroristas não merecem benefícios. Segundo a lógica de George W. Bush, abraçada pelos editoriais, eles sequer possuem direitos.
Eis que chegamos ao cerne da questão. Sabemos que a acepção genérica do terrorismo aplica-se a qualquer pessoa ou grupo, independente dos crimes cometidos, das circunstâncias ou das ideologias envolvidas. "Terroristas" eram os participantes da luta armada que combateu a ditadura militar, mas não os integrantes da resistência às ocupações fascistas durante a II Guerra Mundial. São os guerrilheiros das Farcs, mas não os paramilitares colombianos. São os extremistas muçulmanos, mas não os mercenários a serviço das petrolíferas estadunidenses.
Portanto, o insignificante Battisti é um terrorista apenas porque alguém decidiu imputar-lhe a alcunha tenebrosa do momento. Mas uma simples escolha semântica esconde motivações nada inocentes: o retorno à nomenclatura utilizada pelos militares cumpre um papel estratégico.
Não há coincidência
Criminalizar as militâncias de esquerda, anulando sua legitimidade política, aproxima-as do banditismo comum já estigmatizado pelo noticiário atual. Esvazia, assim, o repertório de valores e as reivindicações tradicionais dos movimentos socialistas (em geral, não apenas das vertentes revolucionárias). E joga um manto de suspeição sobre os combatentes dos anos de chumbo, alguns ocupando cargos de primeiro escalão no governo Lula. Desnecessário lembrar a atuação passada de Dilma Rousseff e suas pretensões eleitorais para dimensionar o alcance dessa manobra.
A luta armada vê-se reduzida ao fanatismo terrorista, como se, assim, as vítimas das atrocidades da ditadura perdessem o direito de exigir a punição dos seus algozes. Como não é possível fazer da tortura e do assassinato instrumentos políticos, todos os antagonistas envolvidos são transformados em criminosos ordinários. Desta forma, a Lei de Anistia beneficiou-os por igual, não podendo ser revista sem acarretar efeitos generalizados.
Os veículos de comunicação que promovem a vilanização histérica de Cesare Battisti apoiaram o golpe de 1964, silenciaram durante o regime, defendem a perpetuação da Lei de Anistia e estão comprometidos com projetos de poder que se beneficiariam do desgaste do governo federal. A pressão midiática sofrida pelo STF no julgamento da constitucionalidade das denúncias do chamado mensalão repete-se, agora, às vésperas de um posicionamento acerca de ações judiciais contra agentes da repressão.
Não há qualquer coincidência nesse histórico.



Nota do blogueiro preguiçoso: acho engraçado que durante a ditadura militar os guerrilheiros eram chamados (assim como Cesare Battisti hoje) de terrorista...